
Não quero fazer deste mais um diário de bordo. Não venho para contar minhas desventuras traçadas no meus caminhos tortuosos e desestruturados. Não quero que me conheça, não venho para ser seu novo agrado. Já comecei e terminei tantos blogs que não sei o que me leva a crer que com este serei diferente. Não sou boa com apresentações e boas-vindas. E posso dizer pouco sobre mim. E o pouco que direi será o suficiente pra lhe garantir passeios agradáveis pelo meu mundo ou apenas um adeus a quem acabou de chegar.
Gosto mesmo é das intermitências da vida. Totalmente apaixonável quando gostaria de ser muito mais apaixonante. Vivo em questão de respeito, de sintonia. Questão de pele, de cheiro, de conexão e magnetismo. Não sei ser o que não sou, nem o tento. Me vêem como santa, como criança, como frágil boneca de porcelana que pode se estraçalhar. Não o sou, mas não faço questão de provar. Sou obcecada pelos livros, por filmes e por música. Vivo como se o próximo segundo não existisse e se existir, ainda estou no lucro. Escrevo para que não leiam, recito para que não ouçam, faço verso para que não haja prosa. Butequeira e cuidadosa, me entrego à Medicina como alguém se entrega a um grande amor. Sinto dúvidas sobre ela, sinto medo de idealizar o não ser. Medicina que me tirou do meu mundo seleto e cego, e me jogou mundo afora. Medicina que me tirou de casa e me colocou em contato com a vida. Medicina que cansa, que judia, que maltrata, que alegra e entorpece. Medicina que oferece vícios e desvirtua. Medicina que faz e ensina a viver. Sou crente no Homem, crente na Humanidade. Descrente de crenças, de pragmatismo e de ordens. Faço o que faço, como posso, quando quero. Digo "sim" quando grito internamente por "não" e "por favor" quando faço questão da certeza. Não discuto, me calo e me afogo em mim mesmo. Discussões não foram feitas pra mim, assim como conselhos e recomendações. Me reservo no direito de pouca fala e muita audição. Tenho várias faces, todas tão verdadeiras quanto se pode ser. Quanto aos meus amigos, só preciso que sejam autênticos, só preciso que me encantem. E encantam. Encantam com o "Bom dia" durante as provas, com o "te vejo mais tarde" depois do dia todo juntos, com o "até o chão" sagrado de todas as festas, e com a saudade que aperta de tempos em tempos, lembrando de como era bom quando estávamos juntos. Me encantam na bebedeira e na sobriedade. Faço tentativas arriscadas e dou minha cara à tapa para o sofrimento. Cresço com cada dor, com cada tropeço. Não deixo que decidam por mim. Minhas dores são minhas e de mais ninguém. Não as divido, não as compartilho. São meu fardo, meu crescimento. Caio, mas não permaneço no chão. Minhas alegrias são pequenas, diárias e constantes. Não super valorizo grandes feitos e me apego às pequenas coisas da rotina. A coca-cola dividida, o olhar apaixonado, a mensagem inesperada. Planto dúvidas e incertezas e prego o mistério de ser o que sou. Sou alheia à vontade alheia e temerosa aos meus desejos.Já fui ponto de interrogação, de exclamação e ponto final. Hoje, sou só eu...em minha simplicidade de ser o que sou e de não almejar ser outra.
Um comentário:
CaraRRoooooooo
to bege mais uma vez
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