segunda-feira, 28 de julho de 2008


Férias. Como todas as anteriores, enchem-me de momentos nostálgicos, pessoas nostálgicas, lembranças embriagantes do que vivemos e do que deixamos para trás. Revê-los é como voltar ao passado e viver com certeza, tudo aquilo que tínhamos medo de ser imoral, de ser pecado inadequado, posto que foi deixado de lado. E lembramos. Sentados no sofá da sala, olhando aqueles velhos amigos, novos estranhos a nossa frente, lembramos. Lembramos do que irritava, mas acima de tudo, dos nossos pequenos prazeres.

- Por que viramos amigos?

- Talvez, porque algumas coisas nunca mudam. E o que nos agrade hoje, já tenha nos agradado no passado. Ah, e porquê você sempre falou demais...

Risadas. Altas e escraxadas. Situações que já foram perigosas, que já nos garantiram temores e calafrios, viraram piadas, sinais de humor.

Crescemos e mudamos. Ou talvez, tenhamos mudado para poder crescer. O grupo seleto, de mesmas prioridades já não é mais tão igualitário assim. Temos unespianos, famequenses, desempregados, empregados-estudantes, estudantes-subservientes-ao-cursinho. Mas nosso espírito, ah... este não nos foi roubado pelo mundo de gente grande. Somos os mesmos de anos atrás, juntos.

Embebidos pela saudade, embriagados pela nostalgia, somos os mesmos. Compartilhando as novas experiências, repartindo histórias, revivendo novas amizades. Somos os mesmos, mesmo sendo diferentes do que fomos. Somos os mesmos, pois nos permitimos lembrar, pois nos permitimos reviver, pois nos permitimos se permitir e invadir a vida dos novos-velhos-amigos.

Por uma noite, fomos os mesmo de anos atrás. O imoral já não mais imoral, os pecados mais maleáveis, e o julgamento final não tão rigoroso. Por uma noite, fomos os mesmo de anos atrás.

Por uma noite... Pois na manhã seguinte, já éramos os crescidos mudados, corrompidos pelo mundo de gente grande que sabe como corromper, como dilacerar, como deixar só nas lembranças o que um dia já fomos.

Um comentário:

R. disse...

Oi moça.
há algum tempo eu desconheço o verdadeiro significado dessa palavra: férias. Mas nostalgia eu conheço bem, haha. Quase sempre tou em algum boteco com amigos relembrando os "causos" e morrendo de rir. Aliás, esses dias dei um pulo em um asilo e vi o que, realmente, é nostalgia. Dá tristeza. Serviu até de inspiração pro último post (escrito as pressas, coitado, porque eu não aguentava ver o blog abandonado mais). Mas, o que eu queria dizer mesmo (as vezes falo, falo e falo e não digo nada), é que nostalgia é bom. Quando não vira patologia, sabe? Eu tenho amigos a rodo, dá saudade sempre.

Quanto ao seu comentário no blog, puts, fiquei muito feliz! Muito obrigado mesmo. Escrevo tão despretensiosamente, sem revisar, sem nada. Vivo escrevendo bêbado, haha. É bom saber que tem quem gosta de verdade do que escrevo (porque eu mesmo não gosto, haha!). Enfim, muito obrigado!

Minha vida anda absurdamente corrida, mas volto aqui com calma depois e leio os outros posts também e assim vamos mantendo diálogo, ok?

Beijo grande