sexta-feira, 25 de julho de 2008


Talvez fosse o vinho. Mas depois de alguns encontros, alguns silêncios e entre as garrafas começadas, a imagem começava a lhe parecer mais agradável, mais amigável. O toque das mãos já se fazia mais afável e oras, que mal havia em gostar?! Esperava anciosa pelo tilandar do celular, que anunciava "uma nova mensagem". Apressadamente, chamou aquilo de "amor". Erradamente, adotou aquilo como "seu". Os olhos pequenos se contraíam, dando sinal de que o vinho fazia efeito. Levantou, se arrumou e saiu.

Havia um calor estranho naquele dia de inverno. Passou a reparar em como as pessoas se abraçam, se juntam, se aconchegam e andam de mãos dadas, no inverno. Talvez seja por isso que o dia dos namorados é no dia em que é. No verão, as pessoas se evitam, não querem esbarrar em corpos suados, grudentos, melados. Não há calor humano, apenas calor. Naquele dia de inverno, porém, as ruas enchiam-se de calor humano, borbulhavam, ferviam. Nunca reparou em tantos casais. Nunca reparou em tantos sorrisos, em meio à Avenida Paulista. Parecia que tudo havia ganho sentido, razão de ser, beleza em existir. Lembranças do apressado amor e do errado seu, faziam do frio menos rigoroso, do dia menos enuviado, e dos seres ao redor, sempre tão trépidos, inóspidos, um grupo que havia achado alguma graça em ser. Havia algo de diferente nela, ela sabia. Havia um estranho calor nela, naquele dia de inverno, mas talvez fosse só o vinho. Ou talvez...

Um comentário:

Unknown disse...

precisamos começar a guardar estes textos, antes que outros o tomem como autores, esse, em especial, poderia ser o começo de conto - romance.
beijos